Cascavel – Nos últimos dez anos, o Paraná expandiu de maneira significativa o monitoramento nutricional dos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), superando a meta global para aleitamento materno exclusivo fixada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Embora tenha havido avanços na saúde materno-infantil e uma diminuição nos índices de desnutrição, os dados indicam um desafio crescente: 72,45% dos adultos atendidos pela rede pública estadual estão com excesso de peso.
Expansão do monitoramento nutricional
Informações coletadas pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) demonstram que a cobertura do monitoramento nutricional na APS (Atenção Primária à Saúde) aumentou mais de cinco vezes entre 2012 e 2025. Durante esse período, a porcentagem subiu de 7,60% para 39,16% da população-alvo.
Em termos absolutos, as avaliações passaram de pouco mais de 804 mil para 4,13 milhões de indivíduos avaliados em todo o Estado, ampliando assim a capacidade para identificar problemas nutricionais e direcionar ações preventivas.
Além disso, o acompanhamento dos hábitos alimentares, que analisa os alimentos consumidos no dia anterior, alcançou uma cobertura de 4,74% da população em 2025. Esse indicador foi introduzido no sistema de informação em 2015 e permite reconhecer padrões relacionados à alimentação saudável ou inadequada.
Conforme informações da Sesa, essa ampliação no monitoramento está vinculada ao fortalecimento das ações de busca ativa nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) e à associação dos indicadores com programas estaduais que oferecem repasses financeiros baseados no desempenho.
Progresso na saúde materno-infantil
Um dos principais resultados desse levantamento diz respeito à saúde materno-infantil. O Paraná registrou um índice de 57% em aleitamento materno exclusivo entre bebês com até seis meses, superando a meta global estabelecida pela OMS de 50% para 2025. Além disso, houve uma redução nos índices de desnutrição infantil: entre crianças com idades entre seis meses e dois anos, a taxa caiu para 3,25% em 2025, o menor percentual desde o início das medições.
A obesidade em bebês menores de seis meses também apresentou uma queda substancial, reduzindo-se de 6,06% em 2014 para 1,86% em 2025. Entre as gestantes atendidas pela rede pública, a taxa de desnutrição diminuiu de 17,53% em 2012 para 9,86% no ano mais recente analisado.
Esses resultados evidenciam progressos significativos na atenção voltada à primeira infância e no acompanhamento nutricional das gestantes; no entanto, é importante considerar também a ampliação do monitoramento ao analisar as séries históricas.
Desafio do excesso de peso entre adultos e adolescentes
Apesar dos avanços observados na primeira infância, os dados apontam a consolidação do excesso de peso—que abrange sobrepeso e obesidade—como um dos principais desafios enfrentados pela saúde pública.
Entre crianças com idades entre cinco e dez anos, a obesidade atingiu seu pico em 22,54% durante a pandemia em 2021; contudo, esse número apresentou redução nos anos subsequentes e encerrou 2025 com uma taxa de 17%.
Ao incluir o sobrepeso nessa análise, mais de 34% das crianças dessa faixa etária acompanhadas pelo sistema apresentam excesso de peso.
A situação se torna ainda mais alarmante durante a adolescência, um período que registrou um aumento expressivo nesse indicador. A prevalência da obesidade entre adolescentes passou de 8,12% em 2012 para impressionantes 17,35% em 2025—mais que dobrando ao longo dos anos analisados.
Esses números ressaltam a urgência por um acompanhamento nutricional contínuo e por iniciativas que promovam orientações alimentares adequadas e incentivem a prática regular de atividades físicas desde os primeiros anos até a adolescência.
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