A quantidade de alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) na rede pública de ensino do Paraná cresceu de 1.300 em 2021 para 11.950 em 2026, um aumento expressivo de mais de 10 mil estudantes ao longo de cinco anos.
Esse crescimento é resultado de um trabalho sistemático de identificação promovido pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), que começou a mapear esse grupo com maior abrangência nas escolas e a direcionar os alunos para abordagens pedagógicas que atendam às suas necessidades específicas.
A virada nesse processo aconteceu em 2022, quando foi criado o Programa Altas Habilidades/Superdotação Paraná, uma iniciativa do Departamento de Educação Inclusiva (Dein) em conjunto com o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S-PR). Naquele ano, o número de estudantes identificados era de 3.387. Esse total subiu para 8.288 em 2023, alcançou 10.245 em 2024 e chegou a 11.608 em 2025, até atingir os atuais 11.950.
Em junho de 2026, uma política nacional específica sobre o tema foi instituída, estabelecendo diretrizes como a criação de um cadastro nacional para acompanhar e mapear esses estudantes.
Segundo Maíra de Oliveira, chefe do Departamento de Educação Inclusiva da Seed-PR, a ampliação na identificação dos alunos está relacionada à formação de uma rede mais capacitada para reconhecer e apoiar esses indivíduos.
“O Programa de Altas Habilidades no Paraná estruturou nosso trabalho, capacitou os profissionais e criou caminhos para as escolas identificarem as diversas potencialidades dos alunos. Essa estrutura também facilitou a identificação, que é o primeiro passo para entendermos melhor nossos estudantes e proporcionarmos condições adequadas ao desenvolvimento das suas habilidades por meio de propostas pedagógicas alinhadas aos seus interesses e necessidades”, afirma.
ATENDIMENTO – O Programa Altas Habilidades/Superdotação Paraná se organiza em quatro áreas principais: acolhimento e identificação; enriquecimento curricular; acompanhamento pedagógico e socioemocional; além da formação e suporte técnico tanto para educadores quanto para as famílias.
“Identificar não se resume a reconhecer uma habilidade; é compreender como cada aluno aprende, quais são seus interesses e como a escola pode incentivá-lo”, explica Cláudia Camargo Saldanha, coordenadora pedagógica do Dein. “Um estudante pode ter facilidade em determinada área e ainda assim necessitar de acompanhamento para manter seu interesse, desenvolver seu potencial e participar ativamente da vida escolar”, complementa.
Essas frentes oferecem múltiplas formas de atendimento. Atualmente, existem 16 Escolas de Referência em AH/SD espalhadas por dez municípios, além de 315 Salas Multifuncionais disponíveis em 165 escolas localizadas em 93 municípios do estado. Também há suporte a estudantes com altas habilidades em 473 escolas que adotam o sistema integral e em 169 Turmas PR+, com ações que abrangem todos os 32 Núcleos Regionais de Educação (NRE).
As Turmas PR+ são voltadas para alunos com elevado potencial e apresentam atividades enriquecedoras que ampliam seu repertório acadêmico, científico e cultural, complementando o currículo regular.
No sistema regular, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) pode ser realizado no contraturno nas Salas Multifuncionais. Já nas instituições que trabalham com tempo integral, esse atendimento é integrado ao cotidiano escolar, contando com professores especializados em Educação Especial que colaboram com os docentes das disciplinas regulares.
As atividades propostas são moldadas conforme as características e interesses dos alunos e podem incluir projetos de pesquisa, iniciação científica, aulas enriquecidas e experiências nas áreas de ciência, tecnologia, robótica, artes, literatura, escrita criativa e xadrez. O programa ainda promove formações e orientações voltadas para professores, equipes pedagógicas e famílias.
A intenção é que essa identificação desses estudantes resulte na prática em melhores condições para seu desenvolvimento educacional. Ao tornar visíveis diferentes talentos e estilos de aprendizagem, a rede consegue planejar respostas pedagógicas mais adequadas e oferecer novos desafios que possibilitem a cada aluno avançar conforme suas potencialidades.
COMO IDENTIFICAR – Desde 2022, o Paraná utiliza um protocolo próprio voltado à identificação dos estudantes com indicadores relacionados às Altas Habilidades/Superdotação. O processo pode ter início através da observação realizada por professores ou pela equipe escolar ou ainda por demandas apresentadas pelas famílias ou pelos próprios alunos. Pais ou responsáveis podem buscar orientação na escola ou no Núcleo Regional de Educação (NRE).
A própria rede educativa contribui na ampliação dessa identificação. Resultados obtidos nas avaliações como a Prova Paraná são utilizados na seleção dos estudantes que demonstram alto desempenho em determinadas disciplinas curriculares e podem ser direcionados ao processo pedagógico específico.
Esse procedimento não se baseia apenas nas notas ou testes intelectuais; especialistas em Educação Especial aplicam questionários respondidos pelo estudante, familiares e docentes além da observação contínua durante atividades pedagógicas entre outros indicadores relevantes. Caso necessário, avaliações complementares podem ser incluídas no parecer final.
A manifestação das altas habilidades não se apresenta apenas sob uma única forma. Há estudantes que se destacam significativamente em matemática ou outras áreas do conhecimento; enquanto outros brilham pela sua habilidade linguística, artística ou criativa; pela liderança; raciocínio lógico ou pela capacidade singular em resolver problemas. Essas características podem surgir isoladamente ou combinadas e não indicam necessariamente um desempenho elevado em todas as disciplinas.
Por essa razão é crucial que a identificação tenha um enfoque pedagógico. O aluno identificado com altas habilidades permanece na sala regular interagindo com seus colegas mas poderá precisar de desafios adicionais e estratégias diferenciadas para continuar seus avanços nas áreas onde demonstra maior potencial.
O post Com protocolo próprio, Paraná identifica quase 12 mil estudantes com altas habilidades apareceu primeiro em A Tribuna Regional.
