No dia 31 de maio, em celebração ao Dia Mundial Sem Tabaco, a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR) enfatiza a relevância da prevenção e do tratamento para a cessação do tabagismo, além da promoção de hábitos saudáveis. A data serve para alertar a população sobre os efeitos nocivos do fumo na saúde, incluindo os riscos associados tanto aos cigarros tradicionais quanto aos dispositivos eletrônicos.
Atualmente, 336 municípios paranaenses oferecem serviços multidisciplinares voltados para o tratamento do tabagismo, representando um crescimento de 33% em comparação a 2019, quando apenas 251 cidades contavam com as iniciativas do Programa Estadual de Controle do Tabagismo (PECT). Essa ampliação assegura que um número maior de pessoas tenha acesso ao tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando em até cinco vezes as chances de sucesso para aqueles que desejam abandonar o vício.
O programa é desenvolvido por equipes de saúde que prestam apoio integral às pessoas que desejam parar de fumar. Existem equipes dedicadas ao tratamento da dependência do tabaco em 1.184 unidades de saúde espalhadas pelo estado.
As estratégias adotadas incluem abordagens cognitivo-comportamentais, tanto individuais quanto em grupo, além de suporte medicamentoso quando necessário. Este suporte pode incluir adesivos de nicotina, gomas e pastilhas, bem como medicamentos como bupropiona.
No período entre setembro e dezembro de 2025, as equipes dedicadas ao tratamento do tabagismo no Paraná atenderam 6.511 pessoas. Desse total, 4.014 eram mulheres, representando 58,22% dos atendimentos; enquanto os homens totalizaram 2.881 atendimentos, correspondendo a 41,78% dos casos registrados.
Analisando as idades dos atendidos, observa-se uma predominância entre adultos de 18 a 59 anos, que constituem 73,18% dos pacientes atendidos — somando 5.046 pessoas. Aqueles com 60 anos ou mais representam 24,24%, com um total de 1.671 registros; enquanto os menores de idade são apenas 2,58%, com 178 atendimentos realizados.
O secretário estadual da Saúde, César Neves, destaca que o enfrentamento ao tabagismo é uma prioridade nas políticas públicas de saúde.
“O fortalecimento do programa visa ampliar o acesso da população ao tratamento gratuito e qualificado oferecido pelo SUS. Nossa meta é proporcionar acolhimento e acompanhamento para que cada vez mais paranaenses consigam se livrar do cigarro e tenham uma vida mais saudável”, afirma Neves.
SAÚDE EM RISCO – Dados apresentados pela Sesa revelam a gravidade das doenças cardiovasculares no Paraná. Entre janeiro e março deste ano, foram contabilizados 13.491 internamentos relacionados a essas condições no estado: 6.903 deles foram homens e 6.588 foram mulheres. Em comparação com o mesmo período de 2025, quando ocorreram 12.570 internações, fica evidente a ligação entre fatores como o tabagismo e o agravamento das doenças cardiovasculares.
Especialistas afirmam que o uso do tabaco se mantém como um dos principais fatores evitáveis associados a doenças cardiovasculares e respiratórias, além de diversos tipos de câncer. Os riscos não se limitam apenas aos cigarros convencionais; os dispositivos eletrônicos — conhecidos como vapes e pods — têm gerado preocupações entre profissionais da saúde devido ao aumento no consumo entre os jovens.
O cardiologista Maurício Dallagrana, diretor clínico do Hospital Infantil Waldemar Monastier, ressalta as consequências graves que o tabaco pode provocar no organismo.
“A dependência do tabaco torna o corpo muito mais vulnerável a infartos agudos do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e disfunções sexuais. Além disso, pode resultar em complicações severas nos vasos sanguíneos que podem levar até à necessidade de amputações ou intervenções cirúrgicas emergenciais”, pontua Dallagrana.
Ele também adverte sobre os riscos associados aos cigarros eletrônicos: “Há uma falsa impressão de que esses dispositivos são opções seguras. Na verdade, eles liberam grandes quantidades de nicotina e outras substâncias prejudiciais à saúde que podem causar endurecimento arterial e elevar a pressão sanguínea — aumentando assim as chances de infartos e arritmias cardíacas”. O médico acrescenta ainda que esses produtos estão ligados a problemas pulmonares e incrementam os riscos de câncer.
DESAFIO SUPERADO – Roszangela Abbud tem 66 anos e conseguiu deixar o vício após décadas fumando; ela agora relata mudanças positivas em sua qualidade de vida.
“Comecei a fumar na adolescência e decidi parar quando completei 40 anos devido ao cansaço excessivo e um diagnóstico de hipertensão. Tentei várias vezes sem sucesso até parar definitivamente aos 56 anos”, compartilha Roszangela.
A mudança em sua rotina foi significativa após deixar o cigarro: “Hoje tenho disposição para praticar exercícios três vezes por semana e faço passeios com amigos com muito ânimo. Agora consigo aproveitar aromas e sabores que antes não percebia devido à nicotina”, conta ela.
A Sesa recomenda às pessoas interessadas em parar de fumar que procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para obter informações sobre os programas disponíveis na rede pública voltados à cessação do tabagismo.
