Copa do Mundo: Memórias, Estrelas e a Conexão Entre Gerações

Com o início de uma Copa do Mundo, o Brasil parece entrar em um novo compasso, mesmo que os tempos tenham mudado significativamente desde os anos 70, 80 e 90. As ruas se enchem de cores vibrantes, as conversas se concentram nas escalações dos times e, para muitos fãs, uma prática tradicional volta a fazer parte do dia a dia: o álbum de figurinhas.

Reconhecido como o maior vencedor da história das Copas, com cinco títulos em seu currículo, a Seleção Brasileira dá início à sua jornada em busca do hexacampeonato neste sábado (13), às 19h, enfrentando o Marrocos. Enquanto isso, milhares de brasileiros também iniciam uma nova aventura: completar seus álbuns e compartilhar histórias por meio das figurinhas.

Para diversas famílias, o álbum se transforma em um ritual que acontece a cada quatro anos. A compra dos primeiros pacotes traz expectativa na busca por craques e as discussões sobre quais figurinhas ainda faltam ajudam a tornar a Copa em um evento que vai além do campo e se insere na vida cotidiana dos brasileiros.

Entre esses torcedores estão Diego Oliveira Carmanini e Rhieverson Luiz. Apaixonados pelo futebol, eles possuem em casa uma coleção repleta de memórias da Copa do Mundo.

Uma paixão familiar

A conexão de Diego com os álbuns começou na infância, alimentada pelo amor ao esporte e pelo incentivo do pai, que lhe presenteou com os álbuns das Copas de 1990 e 1994. O primeiro álbum que ele completou foi o da Copa de 1998. Desde então, essa tradição se perpetuou. “Guardo essas lembranças como um legado familiar”, revela.

A expectativa continua a mesma ao longo dos anos: “Sempre imagino que talvez esta seja a última vez que vou fazer isso, mas à medida que a Copa se aproxima, essa vontade renasce. A ansiedade aparece e eu começo tudo de novo”, compartilha Diego.

Para Rhieverson, a jornada rumo à Copa de 2026 começou antes mesmo do apito inicial no jogo entre México e África do Sul no dia 11. Enquanto ainda não havia jogos nos gramados dos Estados Unidos, Canadá e México, seu álbum já estava completo e guardado com carinho. “Para mim, a Copa começa quando eu colo a primeira figurinha”, afirma.

Iniciada há 20 anos, sua tradição começou em 2006, quando ganhou o álbum da Copa da Alemanha aos 12 anos. O que parecia ser apenas uma brincadeira rapidamente se tornou um compromisso bienal. Contudo, completar aquele primeiro álbum não foi tarefa fácil. “Foi o mais desafiador de todos; só consegui finalizá-lo quase no encerramento da competição”, recorda.

Muito além das figurinhas

Aos olhos de quem vê apenas um álbum cheio de ilustrações coloridas, pode parecer algo simples. No entanto, os colecionadores entendem que preencher centenas de espaços vazios exige empenho, paciência e planejamento.

A edição de 2026 ainda está sendo trabalhada por Diego. Como é comum entre colecionadores, as figurinhas repetidas vão se acumulando e as trocas tornam-se essenciais. Contudo, ele acredita que o verdadeiro valor dessa coleção ultrapassa as páginas preenchidas: “Completar o álbum é importante sim; mas o melhor é socializar. Você conversa sobre futebol, conhece pessoas novas enquanto troca figurinhas e compartilha expectativas pela Copa”.

Rhieverson compartilha dessa visão. Para ele, o cerne da coleção está nos encontros entre torcedores. Quando começou sua jornada como colecionador, ele anotava suas figurinhas repetidas em pedaços de papel antes de ir até praças próximas à Revistaria Edson — ponto tradicional para os colecionadores locais.

Ainda que a tecnologia tenha modificado a forma como as trocas são feitas hoje em dia, seus hábitos permanecem intactos: “Hoje é possível trocar tudo online; no entanto, eu não abro mão do contato pessoal. Todo sábado ou domingo estou lá. Existem outros locais na cidade para isso, mas sempre volto à revistaria do Edson”, diz.

Entre montanhas de figurinhas repetidas e listas do que falta completar no álbum, laços se formam e histórias são compartilhadas. Independentemente da idade ou time favorito: durante a Copa todos se conectam quando falam sobre completar seus álbuns.

Raridades e histórias engraçadas

Cada edição da Copa traz suas figurinhas mais desejadas. Nomes como Messi e Cristiano Ronaldo costumam gerar uma alegria especial ao aparecerem nos pacotes. Diego recorda que na edição anterior enfrentou dificuldades para conseguir a figurinha do astro português: “Quando finalmente consegui colá-la imediatamente para garantir que não faltasse”.

Enquanto Diego guarda suas memórias sobre Cristiano Ronaldo, Rhieverson possui relíquias especiais também. Uma das mais valiosas é a figurinha de Ronaldinho Gaúcho, um dos jogadores que mais admira. Outra figurinha gerou risadas: sendo palmeirense fervoroso, ele decidiu colar a figurinha do corintiano Fagner — convocado para a Copa da Rússia em 2018 — cabeça para baixo: “Fiz questão disso!”, conta entre risos.

Em algumas ocasiões, finalizar a coleção exige investimentos adicionais. Diego relata que na edição anterior teve que comprar algumas figurinhas avulsas para concluir seu álbum após perceber que os pacotes estavam trazendo somente repetidas.

Vivendo a Copa por dentro

A paixão de Diego pelo futebol transcendeu as arquibancadas e álbuns ao levar-o a realizar um sonho em 2014: ser voluntário durante a segunda edição da Copa do Mundo realizada no Brasil.

Anteriormente participou da Copa das Confederações em 2013 — considerada uma prévia organizacional para o Mundial — onde teve uma visão privilegiada sobre toda estrutura envolvida na competição: “Como torcedor nem sempre tem-se oportunidade de viajar ou adquirir ingressos; então quando surgiu essa chance eu fiz tudo para participar desse ambiente incrível”, relembra.

Diferente disso, Rhieverson realizou outro sonho naquele mesmo Mundial ao viajar até Curitiba para assistir uma partida ao vivo e sentir toda emoção desse grande evento esportivo. O álbum daquela edição é seu favorito até hoje: “Foi especial porque aconteceu aqui no Brasil; havia uma energia diferente”, recorda emocionado sobre sua experiência no estádio: “Assistir à Copa ao vivo é algo incomparável; ficou gravado na memória”.

Com o avanço da preparação para a Copa de 2026 vem também um aumento nas expectativas entre torcedores como Diego — que aprovou as escolhas feitas pela Seleção Brasileira — acreditando firmemente na possibilidade do sexto título mundial: “Vai ser desafiador já que agora há mais seleções competindo; mas confio nas capacidades do Brasil.”

A atual edição será histórica por reunir 48 seleções jogando nos Estados Unidos, Canadá e México sob comando técnico de Carlo Ancelotti; iniciando assim sua trajetória atrás daquele título inédito desde 2002.

No momento em que Diego ainda busca preencher algumas lacunas restantes no seu álbum referente à próxima Copa de 2026 enquanto Rhieverson já aprecia seu exemplar fechado na estante; ambos compartilham uma mesma certeza: viver a experiência da Copa do Mundo vai muito além dos minutos jogados dentro do campo.

No contexto digital atual onde fotos vídeos e mensagens são armazenadas virtualmente os álbuns físicos oferecem algo distinto: uma vivência palpável ao folhear recordações revisitadas através dos momentos marcantes que formaram gerações inteiras de torcedores.

A essência está nas memórias transmitidas pelos pais nas conversas informais entre amigos nos intercâmbios realizados diante das bancas de jornal assim como nas narrativas preservadas por cada coleção individualmente.

No final das contas trata-se menos sobre simplesmente acabar com uma coleção mas sim manter viva uma tradição intergeracional; como bem resume Rhieverson: “Não estou colando papéis; estou colando memórias”.

O post Figurinhas, craques e lembranças: A Copa que ultrapassa gerações apareceu primeiro em O Paraná – Jornal de Fato.

By Vida em Curitiba

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