Durante o mês de setembro, a Copel realizou a substituição de 2.061 postes, seis torres de alta tensão e 113 quilômetros de cabos danificados. Essas ações foram necessárias para restaurar o fornecimento de energia para milhares de paranaenses que enfrentaram os efeitos de quatro eventos climáticos extremos que ocorreram em sequência no estado.
Efeitos do Super El Niño no Paraná
Esses fenômenos climáticos estão diretamente relacionados ao que tem sido denominado Super El Niño. Este fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, levando a um aumento da temperatura superior a 2 °C. Essa alteração impacta significativamente a circulação atmosférica, afetando os padrões globais de chuva e temperatura.
“Estamos diante de uma situação climática sem precedentes e precisamos estar prontos para lidar com isso. A Copel possui equipes treinadas e um plano de contingência bem definido para atuar antes, durante e após esses eventos climáticos”, declara Denis Mollica, diretor-geral da Copel Distribuição.
Os ventos que superaram 100 km/h, somados ao volume recorde de chuvas para setembro, quedas de granizo e três tornados identificados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) causaram danos significativos à rede elétrica. As equipes da Copel trabalharam incessantemente para restabelecer o fornecimento aos consumidores afetados.
Gustavo Theodor Carvalho, diretor de Operações e Manutenção da Copel Distribuição, destaca que a empresa mantém um monitoramento constante das condições meteorológicas com o apoio do Simepar. Isso possibilita preparar as equipes para as áreas mais vulneráveis. “Temos uma parceria duradoura com o Simepar e utilizamos inovações para interpretar variáveis meteorológicas como precipitação e rajadas de vento, permitindo-nos planejar nossas ações operacionais”, explica.
Desafios dos eventos extremos e recuperação da energia
O mês de setembro registrou o pico das interrupções no fornecimento de energia, afetando 257,9 mil imóveis em todo o Paraná no dia 22. Para lidar com essa situação, cerca de 2,7 mil profissionais da Copel foram mobilizados em 1.187 equipes simultâneas para restaurar o serviço. Durante essas intervenções, foram trocados 421 postes, 23 quilômetros de rede média tensão e duas torres de Alta Tensão.
No dia 28 de setembro, novas interrupções afetaram outras 257,7 mil unidades consumidoras, principalmente nas regiões Noroeste, Oeste e Centro-Sul do Estado. Um total de 3.039 empregados da Copel estava envolvido nas operações de religamento.
Os danos extensivos ao sistema elétrico em todo o Estado foram evidentes em 10 de setembro, quando a companhia mobilizou 2.826 profissionais para religar todos os clientes impactados.
Em resposta às interrupções iniciadas no final de agosto, as equipes da Copel estavam ativas já no dia 1º de setembro recobrindo 102 mil unidades consumidoras. Para isso, a empresa contou com a colaboração de 2.961 profissionais dedicados à recuperação do fornecimento elétrico.
As seis torres danificadas durante os temporais estão responsáveis por ancorar Linhas de Distribuição Alta Tensão com capacidade para 138 mil Volts nas regiões Noroeste, Sudoeste, Vale do Ivaí e Campos Gerais.
Paulo Valadão, superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel, aponta que os principais desafios enfrentados pelas equipes em campo foram a frequência dos eventos climáticos em um curto período e os danos causados em estradas que dificultaram o acesso das equipes. “Os eventos ocorreram repetidamente com chuvas intensas que complicaram as operações em áreas rurais onde postes caíram devido a ventos fortes”, diz ele.
“Apesar dessas dificuldades todas, estamos demonstrando nossa capacidade de resposta rápida. Temos um planejamento robusto acompanhado pelo centro operacional e estamos preparados para enfrentar futuros desafios com nossas equipes totalmente comprometidas em atender nossos clientes com segurança e qualidade”, ressalta Valadão.
Chuvas recordes e fenômenos extremos
Informações do Simepar indicam que o volume pluviométrico registrado neste mês foi o maior já documentado por estações meteorológicas nos últimos 29 anos; entre elas estão as localizadas em Cambará (Norte Pioneiro), Cerro Azul (Vale do Ribeira), Ponta Grossa (Campos Gerais) e Telêmaco Borba (Centro-Sul).
Na estação do Simepar em Curitiba, a precipitação acumulada em setembro chegou a impressionantes 339,4 mm — um valor próximo ao recorde histórico. Outras estações meteorológicas também registraram volumes inéditos desde sua instalação pelo instituto ao longo das diversas regiões paranaenses.
Tornados e vendavais
Nas três semanas consecutivas analisadas pelo Simepar, as rajadas na região paranaense ultrapassaram os 100 km/h. Os registros mais recentes ocorreram na última semana do mês quando ventos intensos impactaram cidades como Umuarama e Paranavaí junto a municípios adjacentes.
Na semana anterior a isso, Apucarana registrou rajadas atingindo até 124,9 km/h acompanhadas por granizo e chuvas volumosas que provocaram danos severos às estruturas locais e deixaram milhares desabrigados.
No domingo dia 13 de setembro, chuvas intermitentes geraram barreiras sobre rodovias isolando cidades como Cerro Azul, Tunas do Paraná, Adrianópolis e Doutor Ulysses no Vale do Ribeira. Esses fenômenos climáticos resultaram na queda de árvores sobre linhas elétricas causando interrupções no fornecimento energético na região.
Foram seis dias consecutivos dedicados à recuperação sob condições adversas como chuvas intensas e estradas bloqueadas. Essa operação integrada contou com mais de 300 colaboradores da Copel resultando na instalação de 196 novos postes e na recuperação ou troca totalidade dos condutores ao longo dos 14,6 mil metros trabalhados; todos os clientes conseguiram ser religados.
Em meio a esses eventos severos registrados em setembro, um tornado foi confirmado na área rural do município Goioerê no dia 11; além disso outros dois tornados atingiram Francisco Alves (Noroeste) e Espigão Alto do Iguaçu (Centro Sul) nos dias anteriores — ambos também validados pelo Simepar.
Assessoria
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