Cascavel se prepara para a chegada dos wolbitos com o método Wolbachia em outubro

A partir de outubro, Cascavel iniciará a implementação de um método que já apresenta resultados promissores em várias localidades do Brasil. O Método Wolbachia é uma abordagem inovadora para o controle de doenças como dengue, zika e chikungunya, que envolve a liberação controlada de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Essa bactéria é capaz de impedir a multiplicação dos vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela dentro do mosquito. É importante ressaltar que a Wolbachia é um microrganismo natural encontrado em aproximadamente 60% das espécies de insetos, como borboletas e abelhas, no entanto, não está presente nos Aedes aegypti.

Clair Wagner, gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de Cascavel, informou que mais de 6 mil dispositivos serão distribuídos em cerca de 18 bairros da cidade, beneficiando aproximadamente 215.318 habitantes. Os bairros selecionados apresentam uma quantidade significativa de casos que requerem atenção especial, incluindo Brasília, Brasmadeira, Cascavel Velho, Cataratas, Centro, Floresta, Guarujá, Interlagos, Morumbi e São Cristóvão. Em 2023, o município registrou 284 casos confirmados de dengue e oito casos de febre chikungunya.

Os dispositivos serão colocados em árvores e espaços públicos e passarão por monitoramento semanal. Esses equipamentos consistirão em pequenos recipientes plásticos semelhantes a baldes, contendo cápsulas com ovos de mosquitos. Após serem preparados com água, esses dispositivos serão instalados em diversos pontos da cidade. “É fundamental que a população participe desse processo. Orientamos para que os dispositivos não sejam removidos ou danificados. Se algum dispositivo for encontrado fora do lugar, é importante contatar a Vigilância Ambiental para que uma equipe faça a retirada”, esclareceu Wagner.

A gerente também destacou que à medida que os mosquitos liberados se reproduzem com os da região, espera-se um aumento gradual na população dos mosquitos portadores da bactéria. A presença da Wolbachia tem o efeito positivo de reduzir a capacidade dos mosquitos em transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya. “Essa metodologia trará grandes benefícios para toda a comunidade, pois complementa as ações já realizadas no combate ao mosquito transmissor da dengue”, acrescentou Clair Wagner.

Capacitação

No mês anterior, cerca de 50 agentes de endemia participaram de um treinamento voltado para a implementação do método na cidade. A capacitação foi conduzida pela equipe responsável pelo projeto e prepara os profissionais para o manuseio e instalação dos DLOs (Dispositivos de Liberação de Ovos), essenciais para introduzir os mosquitos com Wolbachia no município.

Wagner informou que tratativas foram iniciadas com a Fiocruz para garantir o recebimento dos wolbitos até o final de 2025. Com o contato com água, os ovos iniciam seu ciclo de desenvolvimento como mosquito. A presença da Wolbachia, naturalmente encontrada em diversos insetos, impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya dentro do organismo do mosquito. Isso resulta em uma redução significativa na capacidade desses mosquitos transmitirem essas doenças. Em áreas com pouca vegetação ou situações específicas podem ser necessários dispositivos dentro das residências; nesse caso, o acesso aos quintais será autorizado apenas com consentimento dos moradores.

Para garantir a segurança durante as operações, as equipes estarão uniformizadas e identificadas por crachás enquanto utilizam veículos oficiais da prefeitura. O trabalho será realizado pela equipe treinada especificamente para essa função; os demais agentes continuarão suas atividades normais. Essa estratégia já está sendo aplicada em diversas cidades brasileiras e internacionais.

Calor

Embora o cenário esteja mais calmo durante os meses frios do ano, as preocupações aumentam com a chegada do calor. Espera-se que as temperaturas elevadas favoreçam a reprodução do mosquito Aedes aegypti e possam resultar em um aumento nos registros das doenças relacionadas. É recomendado realizar limpezas regulares nas residências e eliminar qualquer local onde possa haver acúmulo de água.

Desde junho passado, os agentes têm utilizado uma nova ferramenta tecnológica para fortalecer suas atividades preventivas contra doenças endêmicas. Foram adquiridos 164 tablets destinados à documentação das vistorias diárias nos bairros da cidade; esses dispositivos permitirão registrar informações coletadas durante as visitas e enviá-las ao sistema da secretaria ao final do dia. O investimento totalizou cerca de R$ 170 mil provenientes da Secretaria Estadual de Saúde.

O post Método Wolbachia: Cascavel vai começar a receber os wolbitos a partir de outubro apareceu primeiro em O Paraná – Jornal de Fato.

By Vida em Curitiba

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também!